iBOM | A torcida do Juca Rufino: traz-traz-traz.. leva-leva-leva...



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Bom Despacho (MG), 11 de dezembro de 2017

A torcida do Juca Rufino: traz-traz-traz.. leva-leva-leva...

Imagem ilustrativa
Publicado em 07/12/2017 18:08:32

TADEU ARAÚJO - Meu bisavô materno José Joaquim da Costa – Zezé Rufino – pai de minha avó Maria do Alfredo, do Berto e Juca Rufino, aqui nasceu por volta de 1860. Reza a lenda que ele foi um dos primeiros a introduzir uma bola de futebol Bom Despacho. Lá pelos anos de 1885, Zé Rufino organizava caravanas de carros de bois e ia vender toucinho, carne de porco e rapadura mascavo em Curral del Rei, povoado e entreposto comercial, onde anos mais tarde foi erguida a nova capital de Minas Gerais, Belo Horizonte. De lá ele trazia sal, querosene e arame farpado que vendia para fazendeiros locais e utilizava nas suas fazendas do Picão (herdada por seu filho Juca Rufino), da Extrema (herança de Berto Rufino) e Raposo (esta ele deixou para meus avós Alfredo e Maria). Com esses produtos o velho Zé Rufino fez fortuna, adquiriu muitas terras, que em 1936, quatro anos ante de morrer, ele doou para seus três herdeiros.

Dizem que foi lá de Curral del Rei que ele trouxe uma bola, a qual inspirou a criação de times e campos de futebol. Ele se tornou um torcedor ferrenho e não perdia uma partida nas suas fazendas ou nas redondezas.

Seu filho Juca Rufino estreou uma maneira “sui-generis” de torcer. Ele não tinha preferência por essa ou por aquela equipe. Ele queira ver era gol. Se o time A atacava, Juca Rufino incentivava com os gritos de Leva... leva...leva. Se o time B vinha para o ataque, ele gritava traz... traz... traz.

Foi uma vez ao Rio de Janeiro e o levaram ao Maracanã para assistir a um Vasco x Flamengo. Ele ficou no meio da torcida do Flamengo. Aí o Vasco atacava e ele incentivava: Leva...leva. De princípio os flamenguistas mais fanáticos quiseram expulsá-lo de contrajeito de seu meio. Mas aí o Flamengo atacava e ele dizia: traz... traz... traz. Os rubro-negros entenderam sua filosofia de torcedor e até entraram na dele. Em pleno Maracanã, esse bom-despachense criativo ensinou a torcida carioca a torcer pelo momento maior do futebol: o gol. E todo mundo foi com ele no “leva... leva, traz...traz”.

Tadeu Araújo é professor, escritor e fundador da ABDL



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