iBOM | Um caso de amor como na história do Pequeno Príncipe



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Bom Despacho (MG), 20 de novembro de 2017

Um caso de amor como na história do Pequeno Príncipe

Publicado em 12/11/2017 18:49:05

TADEU A RAÚJO - Toda a minha geração conheceu, leu e se apaixonou pela história do Pequeno Príncipe. Um dia, ocasionalmente, ele encontrou-se com a Raposa. Inspirado nesta passagem antológica do livro de Antoine de Saint Exupéry, imagino que certamente foi assim que aconteceu meu encontro com a Geni.

Um dia ela apareceu: - Bom dia – disse a Geni.

- Bom dia, eu respondi.

- Quem és tu?- eu lhe perguntei. Tu és bem bonita.

- Sou a Geni, disse a Geni.

- Vem ficar comigo – eu lhe disse – estou muito solitário.

- Eu não posso ficar contigo – disse a Geni – Não me cativaste ainda.

- Ah! Desculpa – falei-lhe – Mas que quer dizer cativar?

- É algo bem esquecido – disse a Geni – significa criar laços.

- Criar laços?

- Exatamente – disse a Geni – Tu não és nada para mim senão um rapaz inteiramente igual a cem mil outros rapazes. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma garota igual a cem mil outras garotas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. Eu serei para ti a única no mundo. Hoje, os campos de trigo não me lembram coisa alguma. Mas tu tens a pele trigueira. E então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo que é dourado me fará lembrar de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo.

- Por favor, cativa-me, disse ela.

- Que é preciso fazer para cativá-la – indaguei-lhe.

- É preciso ser paciente – respondeu a Geni. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas cada dia, te sentarás um pouco mais perto...

No dia seguinte, eu voltei:

- Teria sido melhor se voltasses à mesma hora - disse a Geni – se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz!

Assim eu cativei a Geni. E ela me cativou. Isso faz tempo. E nos mantivemos unidos desde então. A vida foi passando e apareceu a Roberta e o Leo, o Bruno e a Cinara, o Tadeu e a Daniela... A Daiane e a Bruninha...

E todos nós nos cativamos. Isso foi possível por causa de um segredo muito simples que guardamos entre nós: “A gente se torna eternamente responsável por aquilo que cativa. E é verdade que só se vê bem o coração, pois o essencial é invisível para os olhos.”

Geni, parabéns pelo seu aniversário! Longa vida para você a fim de que continuemos nos cativando e nos amando sempre.

Tadeu Araújo é professor, escritor e fundador da ABDL



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